Porto Alegre debate os desafios da logística reversa

Foto: Elson Sempé Pedroso
Foto: Elson Sempé Pedroso

Centenas de pessoas participaram na manhã desta sexta-feira (7/6) da segunda etapa do Seminário de Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos: Cidade Bem Tratada, no plenário Otávio Rocha, da Câmara Municipal de Porto Alegre. O objetivo do evento é chamar a atenção da sociedade sobre o atual cenário da Política Nacional de Resíduos Sólidos e os planos nos níveis estadual e municipal.

O coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), Levi Torres, explicou como surgiram as necessidades das empresas recicladoras de entulho de mobilizar e sensibilizar governos e sociedade sobre a problemática do descarte irregular dos resíduos da construção e oferecer soluções sustentáveis para a construção civil em um dos momentos mais importantes da história para o setor produtivo. Na tribuna, Levi comentou o significado de entulho. “É o conjunto de fragmentos ou restos de tijolo, concreto, argamassa, aço e madeira provenientes do desperdício na construção, reforma ou demolição de estruturas, como prédios, residências e pontes”, disse.
De acordo com Levi Torres, “mais do que reciclar entulho, o que nos moverá nesses novos tempos é a possibilidade de trabalhar em harmonia com as questões ambientais”. O processo de reciclagem do entulho, para a obtenção de agregados, basicamente envolve a seleção dos materiais recicláveis do entulho e a trituração em equipamentos apropriados. Torres explicou que os resíduos encontrados predominantemente no entulho, que são recicláveis para a produção de agregados, pertencem a dois grupos: materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de concreto e materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos. Em algumas usinas de reciclagem de entulho, o gesso é enviado a cimenteiras para mistura. “Porém, o entulho é mais do que isso. É desenvolvimento sustentável, é oportunidade de trabalho e de negócio, é preservação ambiental, é necessidade”, afirmou Levi Torres.
Por outro lado, é também um dos grandes vilões do ambiente urbano. O entulho acumulado é vetor de doenças como a dengue, febre amarela e chamariz de insetos e roedores. Descartado indiscriminadamente em rios, córregos e represas, eleva o seu leito culminando com enchentes e riscos de desabamento de residências próximas ao rio. A quantidade de entulho descartado reflete o momento rico da economia, contudo, sem mecanismos e ferramentas para geri-lo, este resíduo se torna um problema caro para o poder público municipal, responsável pelo serviço de coleta. “Isto é o resultado de uma receita que tem como ingredientes a falta de educação e informação da população para a problemática, a incapacidade do poder público local em fiscalizar e a dificuldade dos órgãos ambientais em ofertar estruturas que recebam resíduos desta natureza”, concluiu. Para Levi o entulho hoje merece atenção dos órgãos fiscalizadores, principalmente os municipais.
Segundo ele, a reciclagem do entulho poupa florestas, reduzindo a extração de pedras sob arbustos e grandes áreas verdes, poupa as águas, evitando que o entulho seja descartado em rios, riachos, represas e mares, e ainda gera trabalho e renda. No Brasil, o entulho pode ainda abarcar mais de 20% da mão de obra egressa de lixões e aterros controlados. Segundo Levi, há alternativas para a falta de areia na cidade de Porto Alegre utilizando a reciclagem do entulho e citou que o estádio Beira Rio está reciclando o entulho. Levi Torres informou que na cidade de Guarulhos, a prefeitura tem um custo de R$ 3 milhões para a remoção de entulho por ano.
O coordenador da Abrecon também falou do Selo Casa Azul, da Caixa Econômica Federal, que tem como objetivo reconhecer e incentivar projetos que demonstrem suas contribuições à redução de impactos ambientais. “Esse instrumento de classificação socioambiental de projetos de empreendimentos habitacionais busca reconhecer os empreendimentos que adotam soluções mais eficientes aplicadas à construção, utilização, ocupação e manutenção das edificações, promovendo o uso racional de recursos naturais e a melhoria da qualidade da habitação e de seu entorno”, salientou.
Plásticos 
 
Desde a criação da lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a logística reversa, que estabelece responsabilidade compartilhada aos geradores de resíduos, é uma realidade a ser debatida. Segundo Gilmar Amaral, consultor da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), atualmente o percentual de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo no Brasil é de 22% e o país ocupa o 10º lugar no mundo, na frente de Portugal e França. Para ele, a logística reversa depende de uma coleta seletiva eficiente e da participação ativa dos consumidores, que devem entregar os resíduos secos (embalagens pós consumo de produtos não perigosos) nos postos de entrega voluntária (PEV’s) ou disponibilizá-los de forma correta nos locais de coleta seletiva.
Amaral explica que atualmente o cenário da logística reversa não é favorável para o plástico, nem para outros tipos de materiais usados em embalagens, pois todos são coletados conjuntamente. Ele acredita que a educação ambiental é fundamental para modificar o comportamento da sociedade. “Sem a participação do consumidor não acontece a logística reversa, pois o seu início ocorre dentro das residências com a separação e o descarte correto”, destacou.
De acordo com o consultor, o sucesso do sistema só acontecerá com a participação de todos os atores envolvidos, ou seja, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana  e de manejo de resíduos sólidos, além dos governos estadual e federal. Na opinião de Amaral, o acordo setorial é o caminho mais adequado para superar os desafios da implantação da PNRS. Ele conta que a proposta para embalagens pós consumo de produtos não perigosos foi entregue ao Ministério do Meio Ambiente em dezembro de 2012 e que se encontra em análise. Após esta fase deverá ser colocada em consulta pública.
Texto: Guga Stefanello (reg.prof. 12.315)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)
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